Steven, o Pit bull da PM do Paraná

Um dos cães utilizados pela Polícia Militar do Paraná aparece em imagens de televisão mordendo um cinegrafista da Band durante o protesto dos professores em Curitiba, na tarde de quarta-feira (29/04) que, segundo autoridades locais, terminou com ao menos 170 feridos (150 manifestantes e 20 policiais).

Os professores protestavam contra um projeto que muda o sistema de previdência dos servidores. Após romperem um cerco policial no entorno da Assembleia Legislativa, onde a medida estava sendo votada, foram reprimidos pelos agentes com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e cães, entre eles pitbulls. A PM do Paraná confirmou à BBC Brasil que tem dois cachorros da raça e que eles começaram a ser usados pela corporação há oito anos.

O incidente

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Segundo o tenente Kleber Pioversan, do Canil
Central da PM paranaense, o motivo do ataque
de Steven – o nome do pitbull – não foi do
instinto do cão. Ele disse que o profissional
“atropelou” o cachorro, que reagiu.

 

“A raça tem esse paradigma de que é violento, mas é um cão criado para o trabalho. Tem força, personalidade forte, mas você precisa dar treinamento e educação para que obedeça e não aja por conta própria”, diz.

Segundo ele, a fama de violência ocorre porque muitas pessoas não têm cuidado e treinamento e perdem o controle sobre o animal. Este tipo de cão foi utilizado por muito tempo por donos de rinhas clandestinas, que os mantinham acorrentados, famintos e nervosos através de maus-tratos e agressões. Isso aumentou consideravelmente a fama de ‘violento’ da raça, que foi na verdade induzida à tais práticas.

“Os cachorros já estavam alterados por causa dos barulhos das bombas”, segundo o cinegrafista da Band, Luiz Carlos de Jesus, que sofreu a mordida do pit bull. O repórter cinematográfico disse “Minha perna não saía da boca do pit bull e ele só soltou quando o policial deu o comando”, lembrou. “Mas a gente que trabalha com isso sabe que esses cachorros só atacam quando é dado um comando.”

Pioverzan disse que o pitbull envolvido no incidente largou a perna do cinegrafista ao receber um comando e que, na verdade, ele é dócil, e que participa, inclusive, de apresentações com crianças.
O cão foi doado para a corporação quando tinha 60 dias e treinado pela Polícia Militar.
A PM do Paraná confirmou à BBC Brasil que tem dois cachorros da raça; o cão Steven, inclusive, participa de atividades com crianças.

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A PM do Paraná confirmou à BBC Brasil que tem dois cachorros da raça; o cão Steven, inclusive, participa de atividades com crianças.

Pioversan afirmou que uma linha de PMs com cinco cães foi usada na manifestação na rampa que dá acesso à Assembleia. Segundo ele, a intenção era impedir que os manifestassem chegassem ao plenário da Assembleia, onde ocorria a votação.
Ele afirmou que houve um tumulto e que, por isso, os repórteres avançaram para a rampa – o que não era permitido.

Ele explica que em uma situação de grande estresse, como uma grande manifestação, a pressão sobre o cão aumenta consideravelmente, e o controle do policial sobre o animal é crucial. No momento do ocorrido, além do tumulto e dos barulhos altos ainda houve uma grande quantidade de gás lacrimogêneo no local, que segundo o próprio repórter da Band dificultava muito a fala respiração de quem estava presente. Todos estes fatores agregam para a tensão do cachorro à serviço. No mesmo momento de correria, um outro cão da polícia da raça pastor alemão mordeu a mão de um deputado no local.

Caso foi exceção 

Também entrevista pelo “Café com Jornal”, o treinador de animais Jorge Pereira afirmou que o pit bull é um ótimo cão de guarda e o que houve foi uma exceção, uma fatalidade. “Ele foi bem treinado e fez o trabalho, tanto que quando o policial dá a ordem, ele larga a coxa e volta para seu estado de tranquilidade.”

O que aconteceu durante a manifestação, de acordo com Pereira, foi causado pelo raio do cachorro, que estava muito próximo dos cinegrafistas. “Foi uma soma de situações erradas. O cinegrafista entrou no raio do cão, que é a extensão da guia, e acabou sendo atacado porque eles estavam alterados pelo tumulto que acontecia no local”.

Para Pereira, “essa raça é selecionada justamente por não se assustar frente a uma multidão e por ter coragem. Mas o ideal é que não ocorra isso porque, nas manifestações, são pessoas do bem, dos dois lados”.
“O cão é uma arma que deve ser bem manuseada e é importante evitar o confronto com esses animais”, finalizou o treinador.

 

Para Tânia Pinc, doutora em Ciência Política, membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e major da reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, o uso de armas não letais e cães para conter manifestações é sempre um risco.

Um comentário sobre “Steven, o Pit bull da PM do Paraná

  1. Olá achei muito curioso a capacidade de um jornalista da então rede televisa citada, ter feito verdadeiros comentários de pré conceito sobre a raça em seu programa. Já não é a primeira vez que vejo esse tipo de julgamento ser feito em escala nacional, mal sabem essas pessoas os prejuízos que causam a sociedade com tamanha desinformação sobre cães, ou também sobre qualquer outro assunto. Será que esses jornalistas fizeram um levantamento estatístico para falar sobre a raça pitbull? será que eles tem conhecimento de quantos acidentes com cães ocorrem nas casas com qualquer raça de cachorro? a resposta é não, porque eles não estão interessados na verdade mas sim com a magnitude da reportagem. Eu já tive muitos cães de diferentes raças…tive uma vira lata que era super carinhosa, porém sempre atacava nossa mão….faz 3 anos que tenho meu pitbull, Max. Posso dizer que é o cão mais carinhoso e companheiro que eu já tive. É amoroso, adora ser tocado, deita todos os dias em meus pés para pedir carinho em sua barriga. Nunca teve atitudes agressivas nem com pessoas nem com animais, pelo contrário adora crianças e se assusta com pessoas. As pessoas podem pensar que ele é uma exceção, porém esquecem que naquele momento o cão é policial, está treinado para situações de enfrentamento, e por isso reacionou. Agora a pergunta é: e se fosse um vira-lata, e se fosse um poddle, será que teria a mesma repercussão? Deixo aqui minha mensagem para aqueles que falam em público, pensar melhor sobre as opiniões emitidas e que se faça a avaliação da ação policial e não da reação do cachorro.

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